A anatomia do site com cara de IA
Gradiente roxo, três cards iguais e um emoji no título. Por que todo site gerado por IA se parece, e o que a página genérica revela sobre o processo.

Todo modelo de linguagem aprendeu a fazer site do mesmo jeito: lendo uma média gigante de páginas. Na média, a hero tem um título grande, um subtítulo cinza, dois botões, três cards com ícone e uma seção de depoimentos. A média é segura, previsível e absolutamente anônima.
O problema não é que o agente gere feio. É que ele gera sem decidir.
Os sinais mais comuns
Um detector de página genérica costuma encontrar os mesmos elementos:
- Gradiente roxo, azul ou verde como fundo da hero.
- Três cards idênticos, com ícone, título curto e duas linhas de descrição.
- Badge com "Novo" ou "Beta" flutuando perto do título.
- Escala tipográfica comprimida: tudo entre 16 e 40 pixels.
- Botões com largura fixa e cantos enormes.
- Paleta de seis cores que não conversam entre si.
- Texto em caixa alta, emojis no título e uma seta em todo botão.
Cada um desses itens é uma decisão tomada no automático. Somados, eles transformam a página num template reconhecível de longe.
A pergunta não é "como ficou bonito". É "quem decidiu o quê nesta página, e por quê".
O que falta no prompt
Pedir "um site moderno para minha empresa" não dá ao agente material para decidir. Ele não sabe a marca, não sabe a prova que existe e não tem regra de escala, peso ou superfície. Então ele recorre à média, que é exatamente o que o leitor já viu mil vezes.
A saída não é escrever prompts mais longos. É dar restrições ao agente: uma escala tipográfica, uma paleta restrita, uma ordem de superfícies (branco, preto, cinza), um inventário de decisões. Restrição é o que separa a página de tutorial da página de produto.
Por que isso importa para quem vende
O visitante não sabe, e não precisa saber, que a página foi gerada por IA. Mas ele reconhece o padrão. A página que parece um template gratuito comunica, no mesmo segundo, que o produto atrás dela também deve ser. A cara de IA é um problema de confiança antes de ser um problema de estética.
No próximo texto, mostro como transformar esse inventário em regras que o agente consegue aplicar sozinho.